Um quarto escuro, madrugada de um dia qualquer, me mexo na cama impacientemente, não consigo dormir. Minhas olheiras no espelho me assustam, há quantos dias essa insônia me atormenta?
Resolvo dar uma volta, quem sabe o ar da noite me faça bem? Entro no carro, está quente aqui, não que a noite esteja fria, mas sinto algo estranho, um ar pesado, ligo o motor, para onde vou? Não sei, vou rodar por aí. Viro em uma rua qualquer, a cidade está tão silenciosa, parece que não há vida, nem uma brisa move as folhas, está tudo parado.
Paro o carro em um canto qualquer, essas ruas não eram tão escuras, olho para um lado, penso ver algo se movendo, um vulto? Ou será apenas uma alucinação causada pelas noites sem dormir? Vou olhar, entro em um beco, cheiro forte, o silêncio se torna um zumbido, ó céus minha cabeça dói, não enxergo nada a minha frente, mesmo assim continuo andando, meus olhos lacrimejam, junto com o mal cheiro o ar se torna seco, engasgo, uma rajada fria me joga para trás e tropeço em algo, caio mas não bato no chão, não bato em nada, apenas caio, meu grito é sufocado, não há voz em minha garganta, uma luz no alto, tento alcança-la, está tão quente.
Acordo em minha cama, o dia já nasceu, esfrego os olhos preguiçosa, levanto, olho o quarto, está ainda em ordem, me viro, porque ainda estou na cama? Me espanto, estou pálida, olheiras profundas, devo estar sonhando, olho no espelho, estou bem, corada, estou aqui em pé! Me aproximo da cama, não é um sonho, ali está a seringa em minha mão, meu corpo jaz sem vida após minha ultima dose, a heroína faz efeito rápido. Agora estou livre, acho que finalmente poderei descansar, uma luz me envolve, me sinto bem, hora de partir, dou uma ultima olhada para meu corpo e sigo rumo a um novo recomeço.
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2 comentários:
Adoro tudo que tu escreve, e sempre tem alguma relação com minha vida, como sempre.
Bom, essa poderia ter sido minha história, apenas substitua heroína por cocaína, e terá meu passado escrito...
Brilhante o modo como articulou a história!
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